O Encontro Semana ALV 2017 na Newsletter da ANQEP Nº69

Encontro Semana ALV 2017: uma "viagem" pelo mundo digital e pela sustentabilidade

A aprendizagem ao longo da vida (ALV) na era digital, o desenvolvimento sustentável e a educação de adultos nos dias de hoje foram alguns dos temas que serviram de mote à realização do Encontro Semana ALV 2017, uma iniciativa inserida no âmbito das comemorações da Semana ALV 2017.

O Encontro, dinamizado pela associação O Direito de Aprender, em parceria com a Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQEP) e outras entidades, decorreu no dia 20 de novembro, no Grande Auditório do ISCTE-IUL, contando com a presença de cerca de 300 participantes.

Competiu a Rui Seguro, Presidente desta associação, dar início à sessão com uma intervenção onde se congratulou com a realização deste evento, garantido que, no futuro, "teremos mais Semanas ALV".

Seguiu-se uma das apresentações mais esperadas do dia, pela voz de Alexandre Quintanilha, convidado de honra deste Encontro e Presidente da Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República.

"O conhecimento é uma viagem", que começa com uma pergunta, depois vêm as hipóteses e, no fim, surge a consolidação/validação. Foi este o ponto de partida para a reflexão de Alexandre Quintanilha, que destacou ainda a importância de "fazer perguntas diferentes e (consequentemente) obter respostas distintas" neste domínio. "É essa a riqueza da ALV", rematou.

Por seu turno, Gonçalo Xufre Silva, Presidente do Conselho Diretivo da ANQEP, realçou a crescente "dinâmica de consciencialização para a ALV" na Europa. No caso português, e não obstante considerar um "processo turbulento", existem condições para olhar para o "problema", referindo-se ao facto de o nosso País não possuir um sistema de educação e formação de adultos.

A sessão de abertura fechou com uma breve intervenção de Nuno Guimarães, Vice-Reitor do ISCTE-IUL, que revelou que "este tipo de eventos vai ao encontro da missão" da instituição anfitriã.

Educação de adultos num mundo digital

Os trabalhos iniciaram-se com a temática da educação de adultos na era digital.

Henrique Gil, da Escola Superior de Castelo Branco, centrou a sua exposição nos "info-excluídos", ou seja, naqueles que não possuem competências digitais, gerando, assim, uma "fratura digital". Este especialista alertou ainda para os comportamentos que podem gerar uma "escravatura digital".

Já Fernando Albuquerque, do Instituto de Educação de Lisboa, apresentou o projeto LIDIA (Literacia Digital de Adultos), e colocou a tónica do seu discurso na necessidade de se "aprender com as tecnologias", numa lógica de pleno exercício da cidadania.

As competências necessárias para se encarar a Indústria 4.0 (suportada por um conjunto de tecnologias) e as respetivas mudanças laborais foram o ponto de partida da intervenção de Maria José Sousa, da Universidade Europeia. De acordo com esta investigadora, o panorama digital exige um conjunto de "competências críticas", designadamente o pensamento criativo, a resolução de problemas, a comunicação e a colaboração.

Seguiu-se Maria da Luz Pessoa e Costa, do Instituto do Emprego e Formação Profissional, que recorreu a alguns dados do Índice de Digitalidade da Economia e da Sociedade - IDES - (referentes ao ano de 2017) para traçar o panorama nacional, destacando, pela negativa, os dados alcançados pelo País nos itens relativos ao "capital humano" e à "utilização da internet".

A manhã terminou com a participação de Lucília Salgado, da Associação Portuguesa para a Cultura e Educação Permanente (APCEP). Sob o mote "Literacia digital no processo de alfabetização dos adultos", a especialista desmistificou o conceito de alfabetização, um termo muitas vezes utilizado com conotação negativa. "Essas pessoas (analfabetas) apenas não sabem ler e escrever. Mas sabem outras coisas..." disse.

Educação de adultos nos dias de hoje e desenvolvimento sustentável

Depois do almoço, os trabalhos retomaram com mais dois painéis de debate: o primeiro relativo à ALV na Agenda 2030 e um outro subordinado à educação de adultos nos dias de hoje.

Na primeira mesa participaram David Rodrigues, Presidente da Associação Pró-Inclusão, e José Manuel Alho, da Fundação INATEL. David Rodrigues focou a sua apresentação nas estratégias de aprendizagem, que variam de pessoa para pessoa, mas que têm um ponto de partida comum: "a nossa aprendizagem é a sucessão de melhorias do erro".

Por seu turno, o Vogal do Conselho de Administração da Fundação INATEL frisou a importância desta instituição "na criação de igualdade de oportunidades, através da sua intervenção na sociedade".

Coube a Licínio Lima, da Universidade do Minho, dar início ao último painel com uma comunicação intitulada "Isto não é um liquidificador", recorrendo à metáfora de "modernidade líquida", do sociólogo Zygmunt Bauman. Seguindo este conceito, o docente afirmou estarmos "de facto, perante uma educação de adultos liquefeita" que se ajusta, como um líquido a um recipiente, a certos fins como a qualificação, a empregabilidade e o empreendedorismo. E, no seu entender, "é mais do que isso".

O painel terminou com as intervenções de Teresa Calçada, do Plano Nacional de Leitura, que anunciou a criação, para breve, do projeto "Ler Qualifica", e de Albertina Oliveira, da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, que abordou a temática da autonomia na aprendizagem.

Prémio Semana ALV 2017 e encerramento dos trabalhos

Seguiu-se outro dos pontos altos do dia, com a entrega do Prémio Semana ALV 2017, uma distinção que visa "promover o conhecimento e a divulgação de boas práticas de aprendizagem de adultos que se revistam de carácter inovador e se revelem eficazes no reforço da participação dos adultos em processos de aprendizagem ao longo da vida".

A RUTIS - Rede de Universidades Seniores foi a grande vencedora de edição deste ano. Luís Jacob, presidente da associação que gere esta rede, recebeu a distinção e aproveitou para destacar o trabalho efetuado pelas mais de 300 universidades seniores que compõem a RUTIS, abrangendo mais de 45 mil alunos.

O júri decidiu ainda entregar uma menção honrosa ao projeto Letras Prá Vida (coordenado pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Coimbra), uma iniciativa desenvolvida a partir de oficinas que visa promover a alfabetização, a literacia digital, a capacitação e a inclusão social.

Competiu a Francisco Madelino, Presidente do Conselho de Administração da Fundação INATEL, o encerramento dos trabalhos. O financiamento da ALV, o envelhecimento ativo e a vertente digital, bem como a sustentabilidade (ambiental e intercultural) foram alguns dos elementos focados no seu discurso, onde se congratulou, igualmente, pela recente abertura do Centro Qualifica da Fundação INATEL, na cidade do Porto.

Ver Newsletter da ANQEP Nº 69 completa aqui: http://www.anqep.gov.pt/wwwbase/newsletter/nl_news_conteudo.asp?id=163